Fernanda Aoki explica adaptação o verão do 'quadradinho' no Rio

RIO — O relógio marca 4h30. Antes de surgirem os primeiros raios de sol, Charles Pereira começa a preparar as areias da Praia do Leme para receber os clientes. Conhecido como Noturno, o barraqueiro trabalha há 11 anos na região e sempre teve o costume de chegar bem cedo para recolher o lixo. Agora, adquiriu um novo hábito. Para ajudar os banhistas a respeitarem as regras de distanciamento social, por conta da pandemia, ele demarca com um rodo quadrados na areia. Não há barreiras físicas, já que o loteamento da praia é proibido, mas ele diz contar com sua disciplina e o bom senso da população. Não se trata de esforço isolado. Restaurantes, academias, casas de shows e produtores de eventos traçam estratégias para enfrentar a estação mais quente do ano. Entre grades, fitas de isolamento ou um simples desenho no chão, a aposta é uma só: será o verão do quadradinho.
Sem um padrão a ser seguido, já que a prefeitura não definiu regras para essas situações, o entretenimento na pandemia tem sido um jogo de erros e acertos. O superintendente de Vigilância Sanitária, Flávio Graça, explicou que cada estabelecimento apresenta um plano, de acordo com as suas necessidades, e a pasta autoriza ou não o funcionamento:
— O empreendedor carioca sempre foi inovador. O Rio é um vitrine para o Brasil e para o mundo. E não está sendo diferente diante desse novo padrão de comportamento imposto agora.
Psicóloga e mestre em resiliência pela USP, Fernanda Aoki afirma que essa é uma adaptação natural após o isolamento total exigido pela quarentena.
— Depois de grandes catástrofes, a humanidade tem a capacidade resiliente de voltar a aspectos originais, mesmo tendo sofrido uma mudança intensa ou prolongada. Os quadradinhos são formas de adaptação às restrições que ainda temos — conclui.
Se você quer aprender a transformar emoções em potência para a vida e para os negócios, te convido a me acompanhar! Vamos juntos construir conexões mais humanas e autênticas.